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Região
- Quarta-feira, 12 de Agosto de 2026 às 13:04
Maria Isadora, jovem teria morrido após se engasgar com pão
Maria Isadora tinha apenas 29 anos.
Morreu neste final de semana, em Bebedouro, depois de passar um dia internada no hospital da cidade.
Segundo as informações que chegaram até nós, ela teria se engasgado com um alimento "pão" e precisou ser socorrida.
Isadora havia perdido o pai e a mãe e era cuidada pela tia. Pessoas que a conheciam a descrevem como uma jovem simpática, alegre e muito bem cuidada.
Ela era dependente para diversas atividades do dia a dia.
Precisava de ajuda para atividades corriqueiras.
Frequentava a APAE.
E é justamente por isso que a morte de Isadora nos leva a uma pergunta que vai muito além da tristeza provocada pela perda de uma jovem de apenas 29 anos.
O que pode ser feito para evitar mortes por engasgo entre pessoas que talvez precisem de auxílio para se alimentar ou que podem apresentar dificuldades de mastigação e deglutição.
Pessoas com determinadas deficiências ou condições neurológicas podem apresentar disfagia, uma dificuldade para engolir que pode aumentar consideravelmente o risco de engasgo e de aspiração de alimentos para os pulmões.
Não sabemos se esse era o caso de Isadora. Não temos informação sobre sua alimentação, se havia alguma restrição, orientação específica ou diagnóstico relacionado à deglutição. E é importante deixar isso claro.
Também não estamos apontando culpados.
Mas existe uma questão que merece ser discutida, principalmente porque não seria a primeira vez que uma pessoa assistida pela APAE de Bebedouro morre após um episódio de engasgo.
Se há repetição de casos, talvez seja hora de perguntar:
Estamos fazendo tudo o que é possível para prevenir esse tipo de ocorrência.
Há avaliação de fonoaudiólogo para pessoas que apresentam risco de disfagia.
As famílias e cuidadores recebem orientação sobre quais alimentos oferecer e de que maneira.
Existe acompanhamento individualizado durante as refeições para quem precisa de ajuda.
Os profissionais e cuidadores sabem reconhecer rapidamente um engasgo e realizar os primeiros socorros.
São perguntas que não têm o objetivo de acusar ninguém. Têm o objetivo de evitar que outra família precise enterrar uma pessoa querida por uma situação que, eventualmente, poderia ter sido prevenida.
Maria Isadora não deve ser lembrada apenas pela forma como morreu.
Deve ser lembrada pela jovem alegre e simpática que, segundo quem a conhecia, era querida e recebia os cuidados de que precisava.
Mas sua morte também pode servir para que Bebedouro discuta um assunto pouco conhecido: a segurança alimentar de pessoas com deficiência e dependência para as atividades da vida diária.
Que a morte de Isadora não seja apenas mais uma notícia. Que também seja uma oportunidade de prevenção.

